COR OU PRETO E BRANCO? RAZÕES DE UMA ESCOLHA by Revista Zum

Quantas fotos você tirou hoje com o seu celular?

Mais do que nunca, é raro passar 24 horas do dia sem ter registrado nenhum momento, seja o almoço em um lugar especial ou o lanche rápido de todos os dias na lanchonete. Com uma câmera ao alcance da mão, todos os momentos passaram a merecer a eternidade capturada por um clique.

O termo “selfie” foi eleito a palavra do não pela Oxford em 2013, mesmo ano em que as vendas de smartphones superaram a quantidade de celulares “normais” vendidos pela primeira vez. Cinco anos depois, somos capazes de evidenciar esse movimento ainda mais forte Além da óbvia facilidade na comunicação e na possibilidade de acesso imediato a tudo que acontece no mundo, a quantidade significativa de celulares nos faz pensar em outras consequências dessa democratização, nas mais diversas áreas do conhecimento.  

Na hora de postar as melhores fotos do dia, como escolher? E no meio da grande quantidade de fotos visualizadas, por que algumas chamam mais atenção que outras? Nada disso é sem querer: nossos olhos seguem aquilo que mais nos agrada. Tudo isso é estudado e faz parte de uma vastidão teórica sobre a fotografia que acaba ficando de lado, já que a maioria dos aplicativos resolve tudo por nós. “É só escolher um efeito legal e ponto final.”

O Instagram registrou, no final do ano passado, 500 milhões de usuários ativos por dia. Meio bilhão de fotógrafos pelo mundo.

Essa nova intimidade com a fotografia, que nasceu e cresceu muito nos últimos tempos, pode ser aproveitada para entender melhor a teoria por trás de um clique. A Revista Zum, do Instituto Moreira Salles, é o portal perfeito para esse novo universo. Nesse artigo, o fotógrafo Mauricio Puls, passa pela pela filosofia, psicologia, cinema e outras áreas do conhecimento e nos oferece um pouco da complexidade de uma escolha que se tornou banal hoje em dia:

cor ou preto e branco?

“É verdade que toda fotografia é uma imagem, mas o aspecto de cada gênero de fotos é bastante diferente. Um fenômeno semelhante ocorre na escultura. Uma estátua de bronze não se parece com uma obra em mármore. […] A primeira é obtida a partir da modelagem da argila, que dá origem à fôrma na qual o metal derretido se transfigura em estátua; já a segunda é produzida por meio do desbaste paulatino de blocos de pedra. As duas são consideradas esculturas, mas modelar a argila e entalhar a pedra são métodos diferentes e produzem resultados diferentes.

[…] A diferença essencial, no caso da fotografia, não reside no método, e sim na matéria-prima inscrita nesse suporte: a substância das imagens em preto e branco é a luz, enquanto a das coloridas é a cor.

Luz e cor obedecem a lógicas muito diversas. A primeira se manifesta nas imagens por meio de uma escala linear que contrapõe valores antagônicos: claridade (presença da luz) e escuridão (ausência). Já a segunda se explicita num círculo de matizes diferentes, mas complementares. Assim, a luz é regida por uma dialética dos opostos, e a cor, por uma dialética dos distintos.”

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